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sábado, 12 de julho de 2014

ARTRITE REUMATÓIDE - COMO ELA APARECE NO LABORATÓRIO CLÍNICO?

Introdução e conceito
Artrite reumatóide (AR) é uma doença autoimune, inflamatória, caracterizada pela cronicidade, simetria e progressividade da poliarterite. Embora desconhecida, parece que o fator etiológico da doença é formado por características  multifatoriais, genéticas e ambientais, que de alguma maneira influenciam a resposta imunológica.

Quadro clínico
A AR pode acometer qualquer articulação, porém, mais frequentemente acomete as articulações das mãos (punhos, interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas), tornozelos, cotovelos, joelhos e ombros. Ocorrem deformidades com a progressão da doença, além de dor. 

Diagnóstico laboratorial
No hemograma pode ser encontrado anemia (normocrômica, normocítica, ou, hipocrômica e microcítica). No caso de anemia hipocrômica e microcítica, esta é devido à deficiência de ferro diminuída, por conta da baixa sérica dos níveis do ferro, embora os níveis de transferrina sejam normais, parece ser, neste caso, uma redução da capacidade de ligação do ferro. O leucograma, geralmente normal, pode apresentar neutrofilia nos casos em que a doença estiver na fase ativa, fase grave, e , leucopenia nos pacientes com síndrome de Felty. Também, na fase ativa da doença, eosinofilia e plaquetose podem ser observadas. A velocidade de hemossedimentação (VHS), geralmente, tem valores elevados. As proteínas de fase aguda, PCR (proteína C reativa), α-1glicoproteína ácida, γ-globulinas e fibrinogênio apresentam valores elevados, também. Naqueles pacientes com vasculite reumática, pode haver presença de crioglobulinas. Em 60 a 80% dos pacientes, o fator reumatóide (FR) aparece positivo, pelo teste do látex. Também, células LE e anticorpos anti nucleares (AAN)estão presentes em 10 a 15% dos pacientes. Análises das proteínas do sistema complemento aparecem normais ou, pouco aumentadas. Características inflamatórias aparecem quando se faz análise do líquido sinovial, com predomínio de células PMN (polimorfonucleares). Na membrana sinovial, na análise anátomohistopatológica, podem ser constatadas a presença de infiltrado crônico de linfócitos e fibrina.


Referências
FERRAS, MB; CICONELLI, RM. Artrite reumatóide - Reumatologia - Atualização Terapêutica 2003.

sábado, 17 de novembro de 2012

FEBRE, DO PONTO DE VISTA LABORATORIAL

Por definição, febre é o aumento regular da temperatura para um novo ponto de ajuste hipotalâmico - vide artigo do blog 'Fisiopatologia' - 
(http://fisiologia-patologia.blogspot.com.br/2010/06/febre-abstract-da-fisiopatologia.html). Contudo, há de se considerar que a presença de citocinas podem causar desajustes outros, que se refletem em vários sistemas. Para tanto, é necessário traçar o perfil da febre por meio de avaliação de parâmeros laboratoriais. Hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), avaliação dos níveis de proteínas de fase aguda, como proteína C reativa (PCR), alfa-1-glicoproteína ácida (α-1-GA) e hemocultura (em caso de suspeita de agente infeccioso.

Hemograma
Série branca - pode apresentar leucocitose com desvio à esquerda, granulações tóxicas, corpúsculos de Dohle, eosinopenia. De maneira isolada, ou conjunta, estes parâmetros podem ser indicativos de provável infecção bacteriana. Caso esteja presente, a linfocitose aponta para doenças virais, considerando a atipia linfocitária, quando em etiologias clássicas, como toxoplasmose, mononucleose infecciosa e rubéola.

Velocidade de Hemossedimentação (VHS)
Amplamente disponível, o VHS é um exame inespecífico, porém é um considerável coadjuvante na diferenciação de doenças infecciosas. Isto é considerável, pois em doenças cuja origem etiológica é viral, o VHS não aumenta. Em especial, relacionado à febre, nas doenças inflamatórias  tem especial importância, apresentando valores quase inexistentes (abaixo de 100 mm/hora).

Proteínas de Fase Aguda
Em casos de inflamação, a PCR é utilizada, por ser um marcador direto de inflamação. Geralmente, apresenta-se em níveis elevados.

Alfa-1-Glicoproteína Ácida (α-1-GA)
É um marcador inespecífico, elevando-se em variados estados infecciosos. 

Hemocultura
As hemoculturas são utilizadas em caso de suspeita de sepse, ou até para monitorar a evolução do tratamento da sepse. Também  a hemocultura pode ser utilizada na averiguação de achados clínicos localizados, como abscessos. 

Dentro destes parâmetros é perfeitamente inteligível que, seja ou não por infecção, a febre, de alguma maneira se manifestará em estados de inflamação, por conta da presença aumentada de citocinas inflamatórias.


Referências

DINARELLO, CA. Thermoregulation and the pathogenesis of fever. Infect. Dis. Clin. North. Am. 1: 43,1996.

HAMERSCHLAK, N. et al. Incident of aplastic anemia and agranulocitosis in Latin America: the Latin study. São Paulo Med. J. 123: (3) 101-104, 2005.

JOSÉ, F.F.; LOPES, R.D. Febre, in: LOPES, AC. Guia de clínica médica, ed. Manole - Barueri,  p.703-710, 2007.